sábado, 26 de agosto de 2006

O que sinto não é solidão

photografos.com.br

Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo...isto é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar...isto é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos...isto é equilíbrio.
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida...isto é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado...isto é circunstância. Solidão é muito mais do que isto.
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma.
(pra mim foi a melhor)

(Francisco Buarque de Holanda)

Depois destas definições minhas palavras são inúteis.

 
posted by Pequeno Milagre at 8/26/2006 09:40:00 PM |
sexta-feira, 25 de agosto de 2006

O que esconde um olhar

-> nem lembro onde peguei essa imagem :-( <-

Pois bem, aqui estou, nem sei ao certo se quero falar sobre o título que dei a este post, ou se simplesmente não conseguirei falar, enfim, a imagem é para homenagear minha amiga Les (te amo linda), e também porque ela ilustra bem o que esconde um olhar, e as palavras simplesmente voaram neste momento, como as borboletas, elas se foram e levaram meus pensamentos, que agora voam na escuridão do quarto e são atraídos pela luz da tela, deixaram-me aqui com as mãos pousadas no teclado...e os olhos fixos em algum ponto do monitor...no relógio...

Segundos passam...

Minutos passam...

Ouço um som, parece asas batendo contra a parede, não pode ser, está escuro e não tem borboletas a noite, então poderia ser a luta contra os pensamentos que nego? Isso nem importa, agora a questão é outra, os mistérios que escondem um olhar, e não são poucos. Agora sim as palavras estão voltando, já sei o som era delas batendo na porta, ok meninas podem entrar, sejam bem-vindas e preparem-se e ocupem seus lugares porque o show vai começar.

Lembro-me quando era criança, nem faz tanto tempo assim (riso irônico), nem era preciso meus pais falarem muito para eu compreender o que eles queriam me dizer, aliás não era preciso sequer uma palavra, um ruído, nem mesmo uma aceno, absolutamente nada mais a não ser um simples olhar, os olhares se cruzavam e pronto, estava dado o recado. Mas não sei o porquê, mesmo sendo tantas vezes repreendida pelo olhar, que tanto dizia um NÃO sem rodeios como um SIM quase por obrigação, mesmo assim eu preferia quando era dito, simples assim, dizia não e pronto, não teria perigo de eu achar que o olhar quis dizer o contrário daquilo que de fato era pra ser, digamos que acontecia quando era conveniente pra mim, "Ah mãe eu pensei que podia, a senhora não falou nada" fingindo não ter entendido o olhar lançado como flecha. Quem leu o livro de Gary Chapman que fala sobre as linguagens do amor pode até me compreender um pouco, pode me dar presentes, olhar nos meus olhos, fazer tudo por mim, ficar comigo o tempo que quiser, pegar minha mão, beijar-me, abraçar-me, mas não me prive das palavras, sem elas minha vida seria morta. O olhar pode até dizer tudo, mas de preferência que venha acompanhado dessas maravilhas que são as palavras. Esta experiência vivida em minha infância teve muitos "replays" na adolescência, ah, a adolescência, nessa o olhar mata, destrói, é pior que uma flecha, mas ela passa, e descobrimos que nunca saberemos fugir e nem desvendar os mistérios de um olhar, e são tantos, um olhar, apenas um, pode ser interpretado de muitas maneiras.

Um olhar esconde tantas alegrias, tristezas, medos, incertezas, desejos, verdades, nem poderia citar todos...alguns ainda são mistérios sem palavras... Mas nenhum se compara a um olhar de criança, puro e sincero, sem maldade, claro como o azul do céu. Tenho tido o prazer de cruzar meu olhar com este olhar, meus sobrinhos que me olham com tanta ternura, e a menininha apesar de ainda não dizer muitas palavras pela pouca idade, o brilho no olhar diz tudo, neste caso as palavras ficam por minha conta. E agora ninguém é capaz de decifrar meu olhar, olho no espelho e tento ver dentro de mim, não vejo nada, a luz está apagada (ok, essa foi cruel, só para o post não ficar tão sério...rs), chega de show, em menos de quatro horas devo estar acordada para o trabalho e para isso não há palavras. Boa noite.

"Eu não sei parar de te olhar, não vou parar de te olhar, eu não me canso de olhar..." Ana Carolina e Seu Jorge.

 
posted by Pequeno Milagre at 8/25/2006 12:00:00 AM |
sábado, 19 de agosto de 2006

Leveza

Foto: Rui Gonçalves

Quem me dera ter a leveza de uma pena, para ser jogada nas correntezas da vida e simplesmente não afundar, desviar com toda classe seja qual for o obstáculo e secar com a mais leve brisa. Sinto-me pesada, cansada. Jamais pensei o quanto deter o poder de decisão fosse tão difícil, espero que os anos me ensinem a decidir, sem muito pensar, sem sofrer, sem temer. Decidir não é sinônimo de perder, preciso enxergar com clareza, pena que não existe fórmula para isso, não existe fórmula para viver, a vida não é matemática, ela não é lógica. Antes nada me assustava, nada preocupava, tudo era tão leve, uma simplicidade que parecia sonho, tudo tinha uma leveza, saudades de antes. Hoje tenho que decidir, era pra ter sido ontem, mês passado, não sei, o tempo passa e não consigo, talvez eu decida amanhã, semana que vem, ou apenas decida não decidir nada. Eu quero um anjo, daquele que fica no ombro da gente soprando no ouvido o que devemos fazer, o diabinho que fica do outro lado dispenso, pode ficar com o troco. Bom é saber que com tudo aprendemos, até com as indecisões. Como diz o autor, Fernando Pessoa, "...tudo vale a pena, se a alma não é pequena...", e eu sei que não é. Postada ao som de "Cuide bem do seu amor", porque ela é meu amor, minha princesinha linda, amo-te. Esta mensagem foi por você, quando crescer a titia te explica tudo, espero que compreenda.

 
posted by Pequeno Milagre at 8/19/2006 06:25:00 PM |
sexta-feira, 18 de agosto de 2006

Pequeno milagre

Em minha alma estão impressos tantos medos, traumas, momentos mal resolvidos, o perdão nunca pedido, o nunca cedido, a lágrima derramada, a palavra lançada, impressões em preto e branco...

Há quem consiga sangrar por dentro e mesmo assim transmitir um brilho no olhar, o mesmo que vemos num olhar de criança ao receber um doce, sou tia e sei como é quando um pedido é atendido, "Titia me dá um real para comprar bala?", haja bala para tanto real...enfim, há pessoas assim, e com certeza não sou uma delas.

Sou transparente, meus olhos são como a água de uma nascente jamais explorada pelo homem, qualquer um que ouse olhar neles é capaz de enxergar o que impede que as águas continuem cristalinas. Tentei ser diferente, que inútil, tempo perdido.

Hoje nasce este blog, um pequeno milagre, para o registro das impressões vividas, dos milagres diários, talvez pequenos aos meus olhos, já que minha ignorância às vezes impede que eu veja a real grandiosidade deles para minha vida.

Postada ao som de Milagres (André Valadão), ouça aqui.

 
posted by Pequeno Milagre at 8/18/2006 06:26:00 PM |