Um passo de cada vez...

Não sei porque, mas temos mania de querer dar sempre um passo maior que as pernas podem, e as minhas são pequenas, acredite. Acho que mesmo crescendo nunca deixamos de ser criança (ainda bem), e por não querer crescer em alguns aspectos acabamos recusando a deixar de lado algumas atitudes, uma delas é exatamente isso, dar sempre um passo maior que as pernas podem. Claro que não me lembro como foram meus primeiros passos, acredito que bem atrapalhados, para não negar a natureza, não tenho vídeos nem fotos registrando meu primeiro tombo, então resta apelar para a imaginação, e obervação, afinal criança para observar é o que não falta, meus sobrinhos que valem por dez, o Dudu já está crescido, hoje corre pra todo lado, até faz "manobras radicais" em sua bike turbinada, como ele mesmo diz, "Madrinha, madrinha olha aqui óh o tanto que eu já empino!" chama orgulhoso para eu observar, olho e dou os parabéns, retribuo o sorriso mais puro que pode existir e dou risadas, o pneu não levantou sequer cinco centímetros, valeu o esforço dele, enfim, voltando aos passos, observo a Kamylle, agora mais firme em seus passos, até arrisca uma corrida até a cozinha, por isso devemos dobrar a atenção, degraus e criança é uma combinação que nunca vai dar certo. Lembro de poucos meses atrás, ela pela casa ensaiando seus primeiros passos, tudo na altura de suas mãozinhas servia de apoio para ela chegar onde queria, inclusive no meu quarto onde puxava o forro da escrivaninha e derrubava tudo que estivesse ali, tempo bom. Hoje ela ainda faz isso, porém com uma velocidade incrível, comparo ontem e hoje, na verdade a única coisa que mudou é que ela não precisa de apoio para andar, apenas para descer os degraus, ofereço minhas mãos quando estou por perto, vejo que aquela ansiedade de chegar no destino, seja na cozinha para reclamar seu leite, ou na sala para destruir o controle remoto, ela sempre dá passos largos, e sempre acontece o mesmo, tropeça e cai, olha para os lados desconfiada, sorri bem sapeca, levanta e sai novamente, com seus passinhos nada econômicos.
E não somos diferentes das crianças, não somos diferentes daquela criança que fomos um dia, continuamos a dar nossos passos largos, continuamos a tropeçar por isso, mas nem sempre damos aquele sorriso sapeca e levantamos, e quando levantamos aí sim queremos dar mais que um passo largo, queremos dar dois de uma vez só, e aí as pernas não agüentam, parece que triplicamos o peso e sem querer os passos que eram largos, vão ficando pequenos, cada vez mais pequenos...e aí já nem somos mais aquele criança e nem o adulto que deveríamos ser...o que somos? Nem sei...
Só sei que tenho que aprender a dar um passo de cada vez, nem tão largo, nem tão pequeno, apenas um passo de cada vez.