quarta-feira, 30 de maio de 2007

Post *super animado*

*super animada no mini-curso*

...e já estava no slide 37º ‘Serviços prestados por pessoas jurídicas’...e nem sinal de que estava acabando, nada do tipo “então pessoal, pra concluir...”

E eu super animada [?], com uma blusa super fina e com um super frio, porque ele veio de surpresa! Sim, ontem estava calor, tempo doido, vai entender.

E fui a pé pra aula [de novo] porque eu queria andar mais devagar [andar rápido é mania], ouvir música sem pressa, andar e olhar pra cima ao mesmo tempo procurando as estrelas no céu escuro [muitas nuvens cinzas], seguir a lua [estava grande e com um brilho espetacular], andar com as mãos no bolso, chutar pedrinhas pelo caminho...

Tem dia que a gente acorda meio boba [?]. Algumas pessoas já nascem assim. Me auto encaixo na primeira opção. =P

Enfim, acabou no 56º slide, e o professor super empolgado para dar mais algumas informações extras. Meu Deus, eles acham que vamos aprender coisas de quase uma vida inteira em “apenas” três horas de blá-blá-blá. Faça-me um favor, por favor! Pára a nave que eu quero descer.

Felizmente, voltando pra casa, repetindo o que tinha feito indo, só que com um companheiro que deixou tudo mais difícil de fazer, o senhor vento frio, e que frio!

Não costumo ouvir barulhos externos quando estou andando pela rua sem pressa [e com pressa] com o mp3 no volume 25 [leia-se bem alto], mas desta vez, graças a Deus, eu ouvi, sabe aquela voz láááááá no fundo? “Simone tá indo pra casa?”, tira correndo os fones do ouvido, e fala logo “Anham”, “Quer uma carona?”, “Anham, claro”, e lá fui eu, sem céu, sem estrelas, sem pedrinhas, mas quentinha, e bem quentinha *-*, e do lado de um gato, e que gato *-*.

Estudamos todo o colegial juntos, brigávamos, mas era uma turminha inseparável, e fazia muito, mas muito tempo que não nos víamos/falávamos, e quem diria que aquele menino chato e do tipo super-preguiçoso-pra-estudar hoje estaria legal e lindo, e formado em fisioterapia [forçado pela mãe], mas formado e trabalhando. Temos algo em comum, fazemos algo que detestamos [nem sempre dá pra fazer aquilo que gostamos], e vamos a vida levando.

E ele falando que não gosta e tal de fisioterapia, que preferia mesmo era trabalhar com gado, mas que é a vida, ele estava trabalhando e estava levando, ganhando míseros quase mil e quinhentos reais trabalhando apenas quatro horas por dia.

Pensei “que vida ruim, sempre teve uma estabilidade $$, e hoje recém-formado ganhando tudo isso [é pra quem ganha pouco isso aí é muito] e ainda tá reclamando”.

Mas ora bolas! Eu também reclamo, e conclui: não adianta, se temos o preto, queremos o branco, se temos o branco, queremos o verde, e assim vai.

Nem tive oportunidade pra falar [ainda bem], logo chegou na esquina da minha casa, agradeci a carona e continuo aqui pensando.

Afinal, nós vivemos pra quem?
 
posted by Pequeno Milagre at 5/30/2007 12:52:00 AM |
quinta-feira, 24 de maio de 2007

Post super breve...

Então, tá dificil, hein?

Ô loko gente, juntou os três anos da facul num só! E nem ziparam =/

Tá, super mega power cheio de provas-trabalhos-provas-trabalhos-monografia!

Então pra ser prática, eu tô mais presente [no pouco tempo que roubo do tempo que eu deveria mesmo estar ocupada com a monografia-estudarpraprova-fazendotrabalhos] no meu fotolog. Portanto adicionem nos favoritos e podem dar um pulo lá que com certeza se não tiver notícias minhas, tem foto com algum *superbrevecomentáriodealgumfato*

E eu nem deveria estar aqui agora...

[a consciência grita desesperada pra eu voltar e finalizar logo o primeiro capítulo]

Tudo bem, já vou, calma.


É, eu vou mesmo.

[vai logo]

Tá, fui.

...e o post já acabou, pode ir pro fotolog.

[darei sinal de vida [ou morte] caso eu volte]

muahahaha.

[uai, o post num tinha acabado?]

E acabou.

Até o próximo...

 
posted by Pequeno Milagre at 5/24/2007 12:07:00 AM |
sexta-feira, 11 de maio de 2007

É grande, mas é apaixonante!

Desculpa aí, mas eu sou mineira! Uma mineira sem tempo, mas sou! =p

Aproveita e passa aqui

Sotaque mineiro: é ilegal, imoral ou engorda?


O sotaque das mineiras deveria ser ilegal, imoral ou engordar. Porque, se tudo que é bom tem um desses horríveis efeitos colaterais, como é que o falar, sensual e lindo (das mineiras) ficou de fora? Porque, Deus, que sotaque! Mineira devia nascer com tarja preta avisando: ouvi-la faz mal à saúde. Se uma mineira, falando mansinho, me pedir para assinar um contrato doando tudo que tenho, sou capaz de perguntar: só isso? Assino achando que
ela me faz um favor. Eu sou suspeitíssimo. Confesso: esse sotaque me desarma.

Certa vez quase propus casamento a uma menina que me ligou por engano, só pelo sotaque. Os mineiros têm um ódio mortal das palavras completas. Preferem, sabe-se lá por que, abandoná-las no meio do caminho (não dizem: pode parar, dizem: "pó parar". Não dizem: "onde eu estou?", dizem: "ôncôtô?. Os não-mineiros, ignorantes nas coisas de Minas, supõem, precipitada e levianamente, que os mineiros vivem - lingüisticamente falando - apenas de uais, trens e sôs. Digo-lhes que não. Mineiro não fala que o
sujeito é competente em tal ou qual atividade. Fala que ele é bom de serviço. Pouco importa que seja um juiz, um jogador de futebol ou um ator de filme pornô. Se der no couro - metaforicamente falando, claro - ele é bom de serviço. Faz sentido... Mineiras não usam o famosíssimo "tudo bem".

Sempre que duas mineiras se encontram, uma delas há de perguntar pra outra:
"cê tá boa?" Para mim, isso é pleonasmo. Perguntar para uma mineira se ela tá boa é desnecessário. Há outras. Vamos supor que você esteja tendo um caso com uma mulher casada. Um amigo seu, se for mineiro, vai chegar e dizer: - Mexe com isso não, sô (leia-se: sai dessa, é fria, etc). O verbo "mexer", para os mineiros, tem os mais amplos significados. Quer dizer, por exemplo, trabalhar. Se lhe perguntarem com o que você mexe, não fique
ofendido. Querem saber o seu ofício. Os mineiros também não gostam do verbo conseguir. Aqui ninguém consegue nada. Você não dá conta. Sôcê (se você) acha que não vai chegar a tempo, você liga e diz:- Aqui, não vou dar conta de chegar na hora, não, sô. Esse "aqui" é outro que só tem aqui. É antecedente obrigatório, sob pena de punição pública, de qualquer frase. É mais usada, no entanto, quando você quer falar e não estão lhe dando muita atenção: é uma forma de dizer, olá, me escutem, por favor. É a última
instância antes de jogar um pão de queijo na cabeça do interlocutor. Mineiras não dizem "apaixonado por". Dizem, sabe-se lá por que,"apaixonado com". Soa engraçado aos ouvidos forasteiros. Ouve-se a toda hora: "Ah, eu apaixonei com ele...". Ou: "sou doida com ele" (ele, no caso, pode ser você, um carro, um cachorro). Elas vivem apaixonadas com alguma coisa. Que os mineiros não acabam as palavras, todo mundo sabe. É um tal de bonitim, fechadim, e por aí vai. Já me acostumei a ouvir: "E aí, vão?". Traduzo: "E aí, vamos?". Não caia na besteira de esperar um "vamos" completo de uma mineira. Não ouviránunca.

Eu preciso avisar à língua portuguesa que gosto muito dela, mas prefiro, com todo respeito, a mineira. Nada pessoal. Aqui certas regras não entram. São barradas pelas montanhas. Por exemplo: em Minas, se você quiser falar que precisa ir a um lugar, vai dizer:- Eu preciso de ir. Onde os mineiros arrumaram esse "de", aí no meio, é uma boa pergunta. Só não me perguntem. Mas que ele existe, existe. Asseguro que sim, com escritura lavrada em cartório. Deixa eu repetir, porque é importante. Aqui em Minas
ninguém precisa ir a lugar nenhum. Entendam... Você não precisa ir, você
"precisa de ir". Você não precisa viajar, você "precisa de viajar". Se você chamar sua filha para acompanhá-la ao supermercado, ela reclamará: Ah, mãe, eu preciso de ir? No supermercado, o mineiro não faz muitas compras, ele compra um tanto de coisa. O supermercado não estará lotado, ele terá um tanto de gente. Se a fila do caixa não anda, é porque está agarrando lá na frente. Entendeu? Agarrar é agarrar, ora! Se, saindo do supermercado, a mineirinha vir um mendigo e ficar com pena,suspirará : - Ai, gente, que dó.

É provável que a essa altura o leitor já esteja apaixonado pelas mineiras. Não vem caçar confusão pro meu lado. Porque, devo dizer, mineiro não arruma briga, mineiro "caça confusão". Se você quiser dizer que tal sujeito é arruaceiro, é melhor falar, para se fazer entendido, que ele "vive caçando confusão". Para uma mineira falar do meu desempenho sexual, ou dizer que algo é muitíssimo bom vai dizer: "Ô, é sem noção". Entendeu,
leitora? É sem noção! Você não tem, leitora, idéia do tanto de bom que é. Só não esqueça, por favor, o "Ô" no começo, porque sem ele não dá para dar noção do tanto que algo é sem noção, entendeu? Capaz... Se você propõe algo ela diz: capaz !!!Vocês já ouviram esse "capaz"? É lindo! Quer dizer o quê? Sei lá, quer dizer "cê acha que eu faço isso"!? com algumas toneladas de ironia.. Se você ameaçar casar com a Gisele Bundchen, ela dirá:
"ô dó dôcê". Entendeu? Não? Deixa para lá. É parecido com o "nem...". Já ouviu o "nem..."? Completo ele fica:- Ah, nem...O que significa? Significa, amigo leitor, que a mineira que o pronunciou não fará o que você propôs de jeito nenhum. Mas de jeito nenhum. Você diz: "Meu amor, cê anima de comer um tropeiro no Mineirão?". Resposta: "nem..." Ainda não entendeu? Uai, nem é nem. Leitor, você é meio burrinho ou é impressão? A propósito, um mineiro não pergunta: "você não vai?". A pergunta, mineiramente falando, seria: "cê não anima de ir"? Tão simples. O resto do Brasil complica tudo. É, ué, cês dão umas volta pra falar os trem... Falando em "ei...". As mineiras falam assim, usando, curiosamente, o "ei" no lugar do "oi". Você liga, e elas atendem lindamente: "eiiii!!!", com muitos pontos de exclamação, a depender da saudade... Tem tantos outros... O plural, então, é um problema. Um lindo problema, mas um problema. Sou, não nego, suspeito. Minha inclinação é para perdoar, com louvor, os deslizes vocabulares das
mineiras. Aliás, deslizes nada. Só porque aqui a língua é outra, não quer dizer que a oficial esteja com a razão. Se você, em conversa, falar: Ah, fui lá comprar umas coisas...- Que' s coisa? - ela retrucará. O plural dá um pulo. Sai das coisas e vai para o que. Ouvi de uma menina culta um "pelas metade", no lugar de "pela metade". E se você acusar injustamente uma mineira, ela, chorosa, confidenciará : - Ele pôs a culpa "ni mim". A conjugação dos verbos tem lá seus mistérios, em Minas... Ontem , uma senhora docemente me consolou: "preocupa não, bobo!". E meus ouvidos, já acostumados às ingênuas conjugações mineiras, nem se espantam. Talvez se espantassem se ouvissem um: "não se preocupe", ou algo assim. A fórmula mineira é sintética. E diz tudo. Até o tchau em Minas é personalizado. Ninguém diz tchau pura e simplesmente. Aqui se diz: "tchau pro cê", "tchau pro cês". É útil deixar claro o destinatário do tchau."

(Felipe Peixoto Braga Netto (1973) afirma que não é jornalista, não é publicitário, nunca publicou crônicas ou contos, não é, enfim, literariamente falando, muita coisa, segundo suas palavras. Mora em Belo Horizonte e ama Minas Gerais. Ele diz que nunca publicou nada, mas a crônica que apresentamos foi extraída do livro "As coisas simpáticas da vida", Landy Editora, São Paulo (SP) - 2005, pág. 82)

 
posted by Pequeno Milagre at 5/11/2007 05:36:00 PM |